Há viagens que rendem boas fotografias. Outras deixam lembranças. E existem aquelas que mudam a forma como uma pessoa passa a enxergar o mundo. Para o empresário itapiranguense Rafael Engel, a Copa do Mundo de 2026 foi exatamente isso.
Durante dez dias pelos Estados Unidos, ele viu de perto um estádio com mais de 80 mil torcedores pulsando em uma única direção, caminhou por ruas que serviram de cenário para filmes conhecidos no mundo inteiro, percorreu rodovias americanas, conheceu empresas com mais de um século de história e voltou para casa com a convicção de que viajar é um dos maiores investimentos que alguém pode fazer.
“A Copa foi o motivo da viagem, mas ela acabou se tornando muito maior do que isso. Voltei diferente. Viajar abre a cabeça, faz a gente enxergar oportunidades e também valorizar aquilo que temos em casa”, resume.
O sonho começou a ser construído muitos meses antes do apito inicial. Assim que foram anunciadas as sedes do Mundial, Rafael decidiu que faria parte daquela história. Antes mesmo do sorteio definir as seleções, garantiu os ingressos para uma partida no MetLife Stadium, em Nova Jersey — palco que também receberá a grande final da Copa.
Somente depois veio a confirmação. Seria um jogo entre Inglaterra e Panamá. O planejamento antecipado foi essencial para transformar um sonho em realidade. Quando finalmente entrou no estádio, encontrou uma atmosfera impossível de traduzir apenas em palavras. Quase 82 mil pessoas ocupavam as arquibancadas. Música, efeitos visuais, entretenimento durante as pausas do jogo e uma organização impecável transformavam a partida em um espetáculo muito além das quatro linhas.
“O americano faz de qualquer evento um grande show. Só estando lá para entender. É uma sensação muito boa. Vale cada segundo vivido”, conta.
Mas a viagem não terminou quando o árbitro encerrou a partida. Na verdade, foi ali que começou outra experiência igualmente importante. Sócio-proprietário da Oeste Pneus, Rafael aproveitou a oportunidade para visitar concessionárias, conhecer modelos de gestão e entender como funciona o mercado automotivo norte-americano. Ao lado do amigo Eduardo Grutzmann, sócio-proprietário da Chico Automóveis, percorreu cidades e empresas em busca de conhecimento que pudesse ser aplicado na realidade brasileira.
Um dos pontos altos foi a visita ao Grupo Ray Price, referência no setor automotivo e representante de dez marcas de veículos na região da Pensilvânia. Depois, veio Detroit. Conhecida mundialmente como o berço da indústria automobilística, a cidade proporcionou um mergulho na história de marcas que transformaram a mobilidade mundial. Rafael conheceu a gigantesca residência da família Henry Ford e teve contato direto com a cultura que deu origem às maiores montadoras do planeta.
“Não fomos apenas passear. Queríamos entender como eles trabalham, como vendem, como atendem os clientes. Sempre existe alguma ideia que pode ser adaptada para a nossa realidade”, explica.
Uma das percepções que mais chamou sua atenção foi justamente a diferença entre os dois mercados. Enquanto o Brasil evoluiu rapidamente na digitalização das vendas e dos atendimentos, os americanos seguem valorizando o contato presencial.
“Muita gente imagina que tudo lá acontece pela internet, mas não é bem assim. Eles ainda fazem muitos negócios dentro das lojas. É uma cultura diferente e interessante de observar.”
Entre um compromisso e outro, também houve tempo para conhecer alguns dos cenários mais famosos do planeta. Nova York impressionou desde o primeiro momento. Times Square, Central Park, Ponte do Brooklyn, o memorial das Torres Gêmeas e tantos outros cartões-postais fizeram parte do roteiro.
“É a cidade que nunca dorme. Cada esquina parece contar uma história. Quem gosta de cinema tem a sensação de já conhecer aqueles lugares, porque eles aparecem em tantos filmes”, comenta.
Outro momento destacado por Engel, foi a visita às Cataratas do Niágara, na fronteira entre Estados Unidos e Canadá.
Durante aproximadamente 11 horas de viagem de carro, cruzando os estados da Pensilvânia, Ohio e Michigan, os amigos puderam conhecer diferentes paisagens, regiões agrícolas e rodovias que ajudam a movimentar uma das maiores economias do mundo.
Mesmo tão distante de casa, Rafael fez questão de levar consigo um pedaço do Extremo Oeste catarinense. Em pleno Mundial, ele e Eduardo vestiram as camisas do Cometa, de Itapiranga, e do Grêmio União, de Iporã do Oeste. Um gesto simples, mas carregado de significado.
“Foi uma forma de mostrar nossas raízes. Estávamos no maior evento do futebol mundial levando conosco clubes que representam a nossa história.”

Durante toda a viagem, os empresários também contaram com a hospitalidade da iporã-oestina Deisi Kist e de seu esposo Alexander Weidenbaum, além do apoio de Wander Froehlich, natural de São João do Oeste e hoje morador de Michigan, que os acompanhou em diversos momentos da jornada.
Apesar da grandiosidade da viagem, Engel conta que o maior desafio foi a comunicação. Sem dominar o inglês, precisou recorrer à ajuda de amigos e de aplicativos de tradução em diversos momentos.
Ainda assim, nada diminuiu a intensidade da experiência. Para Rafael, o maior aprendizado não veio de um estádio, de uma concessionária ou de um ponto turístico. Veio da própria experiência de sair da rotina. “Eu gostaria que mais pessoas tivessem a oportunidade de viajar. Quando você conhece outras culturas, entende que o mundo é muito maior do que a nossa realidade. A gente volta valorizando ainda mais o que tem, mas também pensando no que pode fazer melhor. É isso que transforma uma viagem em um verdadeiro aprendizado.“
Antes de embarcar de volta ao Brasil, em uma conversa descontraída, Rafael, Eduardo e Wander selaram um novo compromisso. Apertaram as mãos e prometeram que voltarão a se encontrar. O destino já está escolhido: a próxima Copa do Mundo.

