Com QI de 131, menino de Tunápolis entra para grupo internacional de superinteligentes

Desde muito pequeno, Bernardo Luiz Bruxel demonstrava que enxergava o mundo de uma forma diferente. Enquanto outras crianças se encantavam com desenhos e personagens infantis, ele preferia assistir a vídeos sobre carros, máquinas agrícolas e assuntos que despertavam sua curiosidade. Brinquedos de montar nunca eram apenas brincadeiras: rapidamente se transformavam em construções complexas, organizadas com precisão e simetria.

Os pais, Odinei Luiz Bruxel e Bárbara Vogel, moradores de Tunápolis, percebiam que havia algo especial no desenvolvimento do filho, hoje com sete anos. Mas foi somente após uma longa caminhada de avaliações e acompanhamentos que veio a confirmação: Bernardo possui altas habilidades/superdotação, com QI de 131 pontos, e recentemente passou a integrar a Mensa Brasil, organização que reúne pessoas com alto quociente de inteligência.

“Quando recebemos o laudo, muitas peças finalmente se encaixaram”, lembra Odinei. “Ao mesmo tempo em que surgiram respostas, entendemos que também começava uma nova etapa, cheia de desafios.”

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Aos sete anos, Bernardo Bruxel foi aceito na Mensa Brasil após diagnóstico de altas habilidades.

Sinais que chamavam atenção

As diferenças apareceram cedo. Bernardo utilizava um vocabulário incomum para a idade, fazia perguntas complexas e demonstrava interesse por temas como astronomia e física. Também resolvia problemas durante as brincadeiras com facilidade e passava longos períodos concentrado montando estruturas com peças de encaixe ou solucionando cubos mágicos.

Na época, porém, os pais acreditavam que aquelas características faziam parte do jeito do filho. A pandemia também limitava o convívio com outras crianças, tornando as comparações mais difíceis.

“Como era nosso primeiro filho, muitas coisas pareciam normais para nós. Mas pessoas próximas, especialmente uma vizinha que era educadora infantil, comentavam que ele apresentava habilidades muito acima do esperado para a idade,” comenta a mãe.

A busca por respostas

A procura por ajuda profissional começou quando Bernardo passou a apresentar crises de ansiedade, dificuldades para dormir e momentos de intensa agitação. Logo iniciou acompanhamento psicológico. Depois, por orientação da profissional, a família decidiu realizar uma avaliação neuropsicológica.

Foram 12 sessões presenciais, além de entrevistas com familiares, professora e psicóloga. O resultado confirmou altas habilidades/superdotação, com destaque para compreensão verbal e organização perceptual. O laudo também apontou Transtorno de Ansiedade Generalizada e Fenótipo Ampliado do Autismo.

Mais do que um diagnóstico, o documento serviu como um guia para os próximos passos. “Hoje conseguimos compreender melhor muitas situações que antes nos deixavam sem respostas. Isso faz toda a diferença para saber como agir e oferecer o suporte que ele precisa”, afirma Odinei.

Uma criança de sete anos

Apesar da capacidade intelectual muito acima da média — em alguns testes, equivalente ao desempenho de adolescentes com mais de 16 anos —, Bernardo continua sendo uma criança que gosta de brincar, andar de bicicleta e viver experiências próprias da infância.

É justamente esse equilíbrio que os pais procuram preservar.

“Nosso desafio é lembrar todos os dias que ele tem um intelecto muito avançado, mas continua tendo sete anos. Ele precisa aprender conteúdos mais complexos, mas também precisa brincar, fazer amigos e viver a infância.”

A escola já foi comunicada sobre o diagnóstico e deverá realizar adaptações pedagógicas. Segundo os pais, antes mesmo da confirmação, Bernardo demonstrava desmotivação para frequentar as aulas porque muitas atividades eram repetitivas para ele.

Muito além do QI

A aprovação na Mensa Brasil foi motivo de alegria para a família, mas está longe de ser o principal objetivo. Segundo Odinei e Bárbara, fazer parte da entidade permitirá que Bernardo tenha contato com outras crianças e jovens superdotados, participe de atividades específicas e encontre um ambiente onde possa compartilhar interesses semelhantes.

Ainda assim, eles fazem questão de deixar claro que o maior sonho continua sendo simples. “Não queremos que ele seja lembrado apenas por ter um QI elevado. Nosso maior desejo é que seja feliz, saiba lidar com as frustrações, tenha saúde emocional e encontre pessoas que o compreendam ao longo da vida.”

Ao decidir compartilhar a história, a família também espera contribuir para que outras pessoas conheçam mais sobre as altas habilidades e compreendam que, por trás dos números e dos diagnósticos, existe apenas uma criança que precisa ser acolhida, respeitada e incentivada a desenvolver seu potencial sem deixar de viver plenamente a infância.

Por Suelen Dapper

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