A Fazenda Bela, localizada na comunidade de Pitangueira, interior de Tunápolis, registrou um fato incomum na bovinocultura leiteira: o nascimento de bezerras trigêmeas. As três nasceram vivas, saudáveis e são fêmeas. Segundo estimativas da área, a ocorrência de trigêmeos em bovinos tem probabilidade inferior a 0,01%, o que torna o caso extremamente raro.
O produtor Antônio Santos afirma que este é o primeiro nascimento de trigêmeos registrado na história da propriedade. “Gêmeos já aconteceram outras vezes, principalmente em rebanhos de alta produção, mas trigêmeas vivas é a primeira vez. É um fato histórico para nós”, destaca.
De acordo com ele, o aumento dos casos de partos gemelares tem sido observado em rebanhos de alta produtividade. “Aqui na propriedade a incidência de gêmeos giram entre 8% e 10% ao ano”, comenta.
Apesar da boa notícia, a vaca que deu à luz às bezerras morreu dias depois. Conforme Antônio, a morte foi causada por uma fratura. “Ela era uma vaca muito grande e acabou se quebrando. Não foi consequência do nascimento das trigêmeas”, esclarece.
A intenção da família é manter as três bezerras no rebanho. Atualmente, a Fazenda Bela possui 85 vacas, das quais 71 estão em lactação, além de 64 novilhas da raça holandesa. O sistema conta com três ordenhas diárias e produção aproximada de três mil litros de leite por dia.
A propriedade é administrada por Antônio Santos e pela esposa, Marli Lúcia Mueller, que assumiram a atividade há nove anos, dando continuidade ao trabalho iniciado pelos pais dela. Na época da sucessão familiar, a produção diária era de aproximadamente 250 litros de leite. Desde então, investimentos em genética, manejo e estrutura elevaram a produção para cerca de três mil litros por dia.
Segundo Antônio, um dos diferenciais da propriedade é o investimento contínuo em melhoramento genético. “Todo o acasalamento é planejado. Sempre buscamos genética de alto nível para melhorar a produção e a qualidade do rebanho”, afirma. A média anual supera os 40 litros de leite por vaca, com índices de gordura entre 4,2% e 4,5%, considerados elevados para animais da raça Holandesa. A propriedade já registrou vacas produzindo mais de 80 litros de leite por dia.
Mesmo com os bons resultados, o produtor ressalta que o clima tem sido um dos principais desafios. O excesso de umidade neste inverno exige maior manejo nas instalações para manter o conforto e a sanidade do rebanho. “Estamos revolvendo a cama das vacas três vezes por dia para mantê-la seca. Agora esperamos uma sequência de dias de sol para melhorar ainda mais as condições”, comenta.
Da Bahia ao Oeste catarinense
A história da família também chama atenção. Natural da Bahia, Antônio trabalhava como mecânico de máquinas agrícolas no Maranhão quando conheceu Marli. Ela realizava estágio em uma das maiores empresas do setor agrícola do país.
Os dois ocupavam cargos de confiança quando decidiram mudar completamente de vida. “Foi uma decisão tomada muito rápido. Muita gente achou uma loucura largar empregos estáveis para vir trabalhar no leite. Mas hoje vemos que foi a escolha certa”, relembra.
Além da raridade do parto, o episódio passa a integrar a história da Fazenda Bela, que nos últimos nove anos ampliou significativamente sua produção leiteira e consolidou um sistema baseado em melhoramento genético, manejo e sucessão familiar.
Por Suelen Dapper/JORNAL EXPRESSÃO

